Nelson da Rabeca tensiona o instrumento, entre a tradição e o improviso, em disco com Thomas Rohrer

Por | 12 de junho de 2018 às 11:18

 

O álbum Tradição improvisada une dois músicos de origens, gerações e escolas distintas em torno da rabeca, instrumento medieval de ascendência árabe que atravessou oceanos e aportou no Brasil, sendo especialmente popular na música e nas festas do Nordeste do Brasil como os folguedos de Pastoril.

Um dos dois músicos carrega o instrumento inclusive no nome artístico. Atualmente com 76 anos, o alagoano Nelson dos Santos defende a tradição no disco lançado pelo Selo Sesc neste mês de junho de 2018. Ex-cortador de cana, ele virou Nelson da Rabeca quando, a partir dos 54 anos, passou a fabricar e a tocar esse instrumento que embala trovadores nas rodas de coco e de outros ritmos da musical nação nordestina. Além de rabequeiro, Nelson é também compositor e luthier.

O outro músico carrega a bandeira da liberdade do improviso musical, hasteada pelo jazz no século XX. Trata-se do músico suíço – radicado no Brasil desde 1995 – Thomas Rohrer, saxofonista que aprendeu violino na infância e que travou contato com a rabeca na década de 1990 pelas mãos do compositor, luthier e rabequeiro gaúcho José Kruel Gomes (1938 – 2009), popularmente conhecido no universo musical como Zé Gomes.

Juntos no álbum Tradição improvisada, Nelson e Thomas tensionam a rabeca, tirando sons ásperos dos respectivos instrumentos no toque de repertório formado por xaxados, xotes e baiões inéditos em disco, sempre se equilibrando entre a tradição e o improviso, como sublinha o engenhoso título do álbum produzido por Frederico Finelli.

Com 23 faixas que costuram três falas de Nelson da Rabeca com 22 temas assinados em maioria pelo próprio músico e compositor alagoano, o álbum Tradição improvisada tira sons do atrito, apresentando também músicas da cantora e compositora alagoana Benedita dos Santos, parceira de Nelson da Rabeca na música e na vida.

É Benedita quem dá voz a composições autorais como Cajueiro pequenininho e Quem estiver dormindo acorde neste disco também gravado com os toques dos músicos Antonio Panda Gianfratti (percussão) e Célio Barros (trompa e rabecão). Contudo, a maior parte do repertório festivo é da lavra rústica e intuitiva de Nelson da Rabeca, compositor de temas como Caranguejo danadoCavaquinho do NelsonForró malucoPeneradoPeleja do forró e Saudade de viajar, entre outros.

A edição em CD do álbum Tradição improvisada mantém o padrão de qualidade do Selo Sesc e traz encarte com fotos dos músicos e com textos (de Danilo Miranda e do crítico Tiago Mesquita) que contextualizam com precisão o encontro improvável de Nelson da Rabeca com Thomas Rohrer em disco de alto valor documental e musical.

Fonte: G1

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